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  • Foto do escritorRita Cardoso

Corvo, Açores - Corvo e o seu Caldeirão

Atualizado: 13 de abr. de 2021

(English below)


Um dos pontos de visita mais ansiados pelo Pedro, era a ilha do Corvo (era a quarta vez que tentava a sua sorte). E dado o facto de que muitas vezes o tempo está terrível e não dá para apanhar o barco, ou dá para apanhar o barco, só para chegar lá e estar toda a caldeira com nuvens e nevoeiro, resolvi nem ver fotos para não ter expectativas e ir assim à descoberta dos sentidos, claro que com tudo planeado no papel e na cabeça do Pedro.


Estávamos na ilha das Flores e dormimos no concelho mais a Oeste da Europa, assim se pode ler na placa à beira da estrada, nas Lajes das Flores. Como dali não se tem vista sobre o Corvo e estava um dia de sol, não esperávamos que a primeira vista da ilha mais à frente na estrada, fosse com um belo aglomerado de nuvens por cima. À medida que nos aproximávamos do porto onde iríamos apanhar o barco que nos levava lá, havia cada vez mais nuvens a juntarem-se por cima de nós. Será que íamos ver alguma coisa de jeito?


Quando chegámos ao Porto das Poças, em Santa Cruz das Flores, lá estava a Cecília à nossa espera, do grupo Elisiário Malheiros - Passeios Turísticos Flores. A previsão não era ótima, mas, podia sempre melhorar, quem sabe… Fomos todos preparados para a viagem de barco. Assim que chegámos todas as mãos foram desinfetadas, toda as pessoas de máscara (mesmo se tivessem dois testes negativos de Covid-19), verificaram se tínhamos roupa à prova de água, quem não tinha, eles emprestaram um casaco durante o dia sem qualquer custo extra, e depois colocámos os coletes salva-vidas.

A viagem começou com um tour pela costa Norte da ilha das Flores, e foi simplesmente incrível ver as cascatas, algumas enormes, que terminavam no mar, grutas e formações rochosas lindas de rocha escura que contrastava com um azul límpido do Oceano Atlântico, que cor. Vimos caranguejos pretos a esconderem-se à nossa passagem, e muitas Caravelas Portuguesas. A certa altura, agradecemos ter vindo bem preparados com impermeáveis, pois uma chuvadinha (que é como quem diz, muita chuva num curto espaço de tempo) caiu. Por isso, as fotos escassearam a certa altura.

Depois desta visita às grutas seguimos caminho até ao Corvo, cerca de 40 minutos, o mar estava um bocadinho agitado, mas fez-se bem, para quem não enjoa (se enjoam tomem um anti-vomitex antes da viagem começar).


Atracando na ilha, a primeira coisa que se vê, são os táxis em fila no porto, para levar os turistas a ver a atração principal, o caldeirão. Todos fazem o mesmo preço, 5 euros para ir e 5 euros para voltar. Quem quiser ficar por lá um tempo pode combinar uma hora para o táxi lá estar à espera ou pode ir ao único local com rede e telefonar a dizer que está pronto. Ainda estava nublado e os guias do barco juntamente com os taxistas que já tinham lá estado disseram que provavelmente não iria melhorar, mas mesmo assim queríamos ir tentar a nossa sorte. O Noel, foi quem nos levou até lá acima, além de alguma música da moda, também nos deu algumas explicações do que íamos vendo pelo caminho. Sabiam que a população da ilha do Corvo é cerca de 430 +- 30 pessoas? Estes 30 incluem os nascimentos, óbitos, trabalhadores sazonais, entre outros.


Por entre conversas chegámos ao destino, a cratera que fica no Monte Gordo. A visibilidade para o caldeirão era cerca de 5%, ahahah, mas combinámos com o Noel para nos vir buscar, tínhamos trazido o nosso almoço connosco e preparámo-nos para descer. Não estava com expectativas como referi mais acima, mas a cada passo foram sendo superadas mais e mais.

Ao descer um caminho que está mais ou menos arranjado com algumas pedras, começámos a descortinar alguns contornos das paredes da cratera, o nevoeiro estava a passar por cima do caldeirão e nós atravessámo-lo, como se de um portal se tratasse. Uma das coisas que não estava à espera, foi o facto de haver imensas vacas e até cavalos a pastar por ali dentro, não me devia pasmar, aliás estávamos nos Açores, não é?

Percorremos mais um pouco do trilho até chegar a um monte perto de uma lagoa, com umas rochas que contrastavam com todo o verde do pasto que nos rodeava, sempre com aquela neblina ao longe a acompanhar-nos, que dava todo um ar mágico à nossa envolvência, e decidimos almoçar aí. E foi a decisão mais sábia, pois por entre essas rochas, havia quase uma espécie de varandinha coberta que nos abrigou de mais uma chuvadinha, mas que neste caso se prolongou um pouco mais. Felizmente, os nossos anos na Islândia prepararam-nos para todo o tipo de intempéries e estávamos equipados de impermeáveis da cabeça aos pés, incluindo sacos impermeáveis para carteiras e electrónicos e a minha capa da chuva para a máquina fotográfica, o meu belo saco de plástico azul. Ahahah!

Caminhámos mais um pouco e em breve a chuva parou, o que deu para dissipar alguma da neblina e ter uma visão mais abrangente do caldeirão. O verde incrível por todo o lado, as vacas a pastar, a lagoa de contornos serpenteantes que mais parecem duas, os montes plantados no meio (de nome Cavaleiro e Marco), a micro-floresta de umas 20 árvores se tanto, na verdade, foi fechar os olhos e trocar as vacas por ovelhas e senti-me de volta à minha Islândia. Ah, e também trocar as mil hortênsias dali pelos tremoceiros que nascem na Islândia, mas as tonalidades são parecidas.


Fizemos todo o trilho, que está bem marcado e é fácil de fazer, tem 4,8km, sendo que o mais “difícil” para mim foi só a subida, não por ser técnica, mas por ser bastante inclinada, cerca de 160m de desnível. Fizemos muitas paragens para fotografias, óbvio e conseguimos chegar até ao Noel que nos esperava já no topo do Caldeirão para nos retornar ao porto. A vista lá de cima para o caldeirão era agora de 0%, só mesmo descendo um pouco abaixo da neblina se conseguia ver alguma coisa.


Ao descermos, o Noel deu uma voltinha extra pela vila e mostrou-nos os pontos de interesse e ainda a praia e piscina natural. Valeu a pena e acrescentou valor àquele que era apenas um transfer entre o porto e o caldeirão.


Durante a viagem de volta para a ilha das Flores, estava sol e foi tão tranquila que até passei pelas brasas, tirando o momento em que do nada surge um peixe voador e passa em frente ao barco e só volta a mergulhar uns bons metros depois.


Quanto a expectativas, e já depois de ter visto fotos do Caldeirão em dias de sol e sem nevoeiro, posso dizer que adorei a experiência tal e qual como foi, a neblina deu um ar místico e mágico e tudo se fez e viu (se bem que não tudo ao mesmo tempo 😊 ). Quase me atrevo a dizer que não iria gostar tanto se estivesse um belo dia de sol.



 

One of the most awaited visits for Pedro was the Corvo Island (it was his 4th attempt to visit). Given the fact that sometimes the weather is terrible and it’s impossible for the boats to go out, or the boat goes out but the island is covered by clouds and mist, I decided not see any pictures to lower my expectations and just explore what I find, but of course, everything was planned in paper and Pedro’s head.


We were in Flores’ island and we slept in the westernmost village of Europe, that’s what we could read on the sign by the road, at Lajes, Flores. You can’t see the Corvo Island from that part of the island, and it was a nice sunny day, so you can imagine our faces when further on the road the first image we saw was that beautiful island covered by clouds. As we got closer and closer to the port where we were supposed to take the boat, more clouds were forming everywhere. Would we be able to see anything?


When we arrived to Porto das Poças, the port in Santa Cruz das Flores, Cecília was already there waiting for us, from the Elisiário Malheiros - Passeios Turísticos Flores’ group. The forecast wasn’t great, but it could always get better, who knows… They got us ready for the boat trip. As soon as we arrived all the hands were disinfected, everyone wearing mask (even if you got 2 negative covid-19 tests), they verified if we had waterproof jackets, they lent jackets to anyone who didn’t have one with no extra cost, and then we all put lifejackets.


The trip started with a tour on the Northern coast of Flores island, and it was amazing to see waterfalls, some of them huge, ending at the ocean, we saw caves and beautiful rock formations contrasting with the vivid blue color of the Atlantic Ocean. We’ve seen some black crabs, hiding as we passed, and lots of Portuguese man o' war. At some point, we thanked for being so well prepared with waterproof clothes, because it started raining a bit. That’s why I took less pictures from the Flores coast.


Docking at the Island, the first thing you’ll see it’s the taxis’ queue to take the tourists to see the main attraction, the Cauldron. All charge the same price, 5 euros to go and 5 euros to return. If you want, you can stay there and set a time with the taxi driver to go and get you, or you can go to the only place with cellphone service and call them to come. It was still cloudy and the boat guides together with the taxi drivers told us that probably it wasn’t going to get better, but we were there, so we still wanted to try our luck. Noel, was the driver who took us there, gave us some music and also some explanations of what we were seeing and about the island. Did you know that Corvo’s population is about 430 +- 30 people? These 30 includes the births, deaths, seasonal workers and others.


Between music and facts, we arrived to our destiny, the crater at Monte Gordo (Fat Hill, it’s funny in English). Cauldron’s visibility was about 5%, ahahah, but we told Noel to come and get us a few hours later, we had our lunch with us and we got ready to go down. I had no expectations, as I said before, but every step I took they were surpassed.


We went down through a path, that was more or less fixed with some rocks to be easier, and we were able to see the crater outlines. The fog was passing through the top of the cauldron and going down we crossed it, like a magic portal. One of the things I was not expecting was the fact that there were lots of cows and even horses inside the crater, but why was I surprised, we’re in Azores, right?


We walked a little bit more of the trail till we got to a lagoon, there was a small hill with rocks that seemed to be cutting out from the green grass, and always with that fog further away keeping us company, keeping the mood somewhat magic. We decided to have lunch there, and it was the wisest decision because in the hill there was something similar to a covered balcony to protect us from the strong rain that fell for a while. Luckily, our years spent in Iceland, got us ready to every kind of weather and we were fully equipped with waterproof clothes, head to toe, including waterproof bags for wallets and gadgets, and my waterproof cover for my camera, my beautiful blue plastic bag. Ahahah!


We hiked a little bit more and the rain stopped, and it was good that it rained as it helped to clear the fog for a while and have a better view from the Cauldron. The intense green everywhere, the grazing cows, the lagoon with serpent like outlines, the hills planted in the middle (named Cavaleiro and Marco), the micro-forest with maybe 20 trees if that much, actually I just had to close my eyes and imagine sheep instead of cows and I felt right back to my Iceland. Ah, and also imagine the Alaskan Lupines instead of the thousand hydrangeas, but the colors are similar.


All the trail is well marked with signs and it was an easy hike, it has 4,8km, and the most “difficult” part for me was only going up in the end, just because it was a steep climb, almost 160m in a very short space. We stopped a lot for pictures, obviously, and after a while I was able to see Noel, he was already waiting for us at the top to take us back to the port. The view from up there was now 0%, you could only see something if you got under the fog.


Getting down, Noel took an extra lap around the village and showed us the main points of interest and even the beach and the natural pool. It was worth it and it added value to what was supposed to be just a transfer from the port to the cauldron and back.


During the return boat trip, it was sunny and it was to chill that I slept a little bit, except the moment when a flying fish jumped from the water, crossed the front of the boat and went down the ocean several meters after.


Regarding expectations, and after already seen pictures of the cauldron on sunny days without fog, I can say that I loved the experience just as it was, the fog, the mist gave us a magic mood, some mysticism in the air and we did and saw everything (but not everything at the same time 😊 ). I almost dare to say, that probably I wouldn’t have liked it so much if it was a sunny day.


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