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  • Foto do escritorRita Cardoso

Cuba - primeira impressão

Cuba, calor, humidade e música, isso e pessoas onde quer que pousassem os meus olhos. 

Os cubanos parecem ter um jeito único de viver a vida, sós ou acompanhados, sentados nos jardins e parques, ou mesmo no passeio em frente a casa, com conversas e perguntas soltas para qualquer um que passe por eles, sociáveis ou talvez forma de ocupar o tempo pela “liberdade” que a Revolução e o Socialismo lhes deu, mas isso será outra conversa.

Quando íamos a caminho da cidade, ao som de músicas de amor traduzidas do inglês para espanhol no rádio do táxi, estranhei o mau estado dos edifícios, julgando que estava numa parte mais pobre da cidade e a quantidade de pessoas pelas ruas às nove da noite. Mais tarde percebi ser o normal em Cuba. Estávamos num país que tinha passado por muitas dificuldades, colónia espanhola, escravidão, exploração intensiva do país e seus recursos pelos Estados Unidos da América, ditadura, corrupção, uma revolução há 60 anos, em 1959, pelos ideais do Socialismo, embargo comercial e económico, um país com muita história, um povo com muitas histórias.  

Ao chegar ao nosso suposto destino, deparámo-nos com uma situação no mínimo caricata, mas mais que comum para aqueles lados. O nosso taxista (que tínhamos reservado através da reserva do alojamento) deixou-nos noutra morada, um prédio residencial a cerca de 10 minutos a pé da nossa reserva original. Nós, muito confusos, tentámos explicar-lhe que não era ali, e ele só afirmava que sim, era a ordem que tinha. Sem querermos sair do carro, ele lá abre uma mensagem que recebeu do dono do local onde iríamos dormir, onde explicava ao taxista para nos deixar nesta morada, mas que nós não sabíamos. Sem conseguirmos bem decidir como reagir nesta situação, saímos do carro, tirámos as nossas malas e lá fomos à descoberta. Quando demos por nós, estávamos na casa da Berta e da neta de onze anos, num 7º andar com uma decoração parada nos anos 70 ou 80, com uma vista da cidade incrível. Não era o que estávamos de todo à espera, mas não podemos dizer que tenha sido mau.

Como por aquela hora já havia umas barrigas esfomeadas, pedimos indicação à Berta de um sítio para comer e ela começou a explicar vários sítios na rua principal (Paseo del Prado), turísticos. Mas depois dissemos-lhe que procurávamos algo mais local e barato. Foi quando, sem hesitar, nos levou à varanda e apontou uma ruela paralela à principal, explicou onde era e para batermos à janela. A diferença entre a rua principal e a rua do lado não podia ser mais gritante, enquanto o Prado tinha a estrada arranjada, hotéis, escolas, turistas, a outra tinha buracos e poças de água, gatos e cães, pó, pessoas sentadas à porta de casa à conversa e fachadas cujo prazo para obras de renovação já tinha expirado há muito tempo. Tentávamos descobrir o sítio e encontrámos um senhor de talvez cinquenta anos encostado a uma porta, espreitámos e ele com a maior disponibilidade e simpatia convidou-nos logo a entrar para comer, era uma divisão com três mesas de quatro lugares, para servir refeições. Estavam três cubanos jovens a comer um prato de arroz com feijão e frango. Sentámo-nos e aparece a Laicy, uma cubana tão simpática, com um sorriso tão acolhedor que já estávamos conquistados pela escolha. Tita e Madrina era o nome do “restaurante”. Para imitar os locais, escolhemos o mesmo para comer, o típico arroz moro (arroz com feijão preto) e frango assado. 

Enquanto comíamos observei à minha volta, e apercebo-me que estamos na verdade, na sala da casa destas pessoas, que foi transformada em espaço de refeições. A nossa comida é preparada na cozinha dela, e os trocos que faz, vai buscá-los ao quarto que deixa trancado por precaução. Tem bonecas cubanas penduradas nos candeeiros, cheias de moscas, mas não perguntei se eram decoração ou se tinham algum significado, as bonecas, claro. Mas sei que a comida era boa e bem servida, e apesar de sermos estrangeiros e cobrar sempre mais que a um cubano, comemos bem e pagámos 12 CUC ~ 12€ pelos dois. 

Claro que voltámos as duas noites seguintes que estivemos em Cuba.


Decoração na sala da Berta

Iberostar em frente ao nosso alojamento

Paseo del Prado e Capitólio ao fundo, em obras de renovação.

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