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  • Pedro Pina

Hornstrandir - the edge of the world

Escrito pelo Pedro


Desde há muito tempo que falávamos em ir aos West Fjords. Mesmo antes de virmos para a Islândia, os West Fjords já estavam bem delineados nos nossos planos como um dos locais mais especiais da Islândia. Com todas as visitas que fomos fazendo nos primeiros meses nas principais atracções do sul, oeste e norte, estávamos a precisar de algo diferente...queríamos estar mais perto da natureza e mais longe dos turistas. Toda a gente nos indicava uma península dos West Fjords como um dos locais mais remotos da Islândia: Hornstrandir. Geologicamente, Hornstrandir é um dos locais mais antigos da Islândia, cerca de 16 milhões de anos, mas ainda assim muito jovem comparando com os 160 milhões de anos de Portugal. Antigamente estava totalmente coberta por glaciares que foram recortando a península montanhosa em fiordes, baías e escarpas. Situada a apenas 9km do Círculo Polar Ártico, o clima frio e agressivo sempre foi um dos principais problemas para os poucos agricultores que aqui tentaram viver. Os últimos habitantes abandonaram a península na década de 50 e desde 1975 que os 580km2 de tundra, fiordes, glaciares e paisagem alpina foram considerados Reserva Natural e têm permanecidos inabitados e protegidos. Hornstrandir é uma das últimas verdadeiras áreas selvagens da Europa.


Hornstrandir trails, natural reserve, arctic fox
Península de Hornstrandir, a vermelho os trilhos possíveis

São 480km de viagem de Reykjavik até Isafjordur, a capital dos West Fjords e de onde partem os barcos para Hornstrandir. Os primeiros 200km fazem-se rapidamente na Ring Road, mas assim que chegamos à costa dos West Fjords é um serpentear constante pelos fiordes e parece que para andarmos 10km em frente temos de fazer 50km de curvas pelo fiorde. Mas as curvas são compensadas com vistas lindas do mar azul dos fiordes e por rápidas paragens com avistamentos de focas (infelizmente não tivemos a sorte de ver baleias). Pelo caminho também não faltou uma paragem fundamental em Sudavik no Arctic Fox Center para percebermos melhor estas pequenas raposas árcticas e quais os melhores locais / alturas do dia em que as poderíamos observar em Hornstrandir. Ao fim de 6 horas de viagem chegámos a Isafjordur, uma vila construída literalmente dentro do fiorde numa península de areia com a forma de um L mesmo no meio do mar, um porto natural perfeito para uma vila piscatória de 2600 habitantes. De longe, a maior povoação e o centro da indústria pesqueira dos West Fjords.



É de Isafjordur que partem os barcos para Hornstrandir. Só há duas formas de chegar a Hornstrandir: a pé ou de barco. A pé são mais de 100km e pelo meio tem de se atravessar um glaciar, por isso a única forma acessível é de barco. A época para expedições em Hornstrandir é curta, só existem ligações de barco desde meio de Junho a meio de Setembro. Nós estávamos no último dia de Junho e no último barco do mês para Hornvik, o ponto mais distante da península de Hornstrandir. O dia de viagem ia longo e tinha sido sempre debaixo de chuva ligeira, de céu nublado e muito vento. Esperávamos uma viagem de barco de 3 horas pouco interessante e, mal entrámos no barco de 6 lugares que nos ia levar ao ponto mais remoto da Islândia, preparámos-nos para dormir um pouco. Eram 9:20 da noite. Assim que saímos do fiorde, o céu abriu e, segundo o capitão do barco, tivemos uma das melhores condições meteorológicas que eles tinham visto nas últimas semanas à noite. A viagem de 3 horas pareceu ser de 10 minutos. Fomos em amena cavaqueira com o capitão e o seu ajudante durante a viagem, avistámos navios pesqueiros, antigas bases militares americanas, escarpas de mais de 300 metros e várias colónias de pássaros. Ainda fizemos uma paragem para "descarregar" outros 3 passageiros que viemos a saber depois que um deles era um senhor de 70 anos de idade, que nasceu e viveu ali os seus primeiros anos de idade e que todos os verões voltava para passar uns meses na casa em que tinha nascido. Pela quantidade de caixas, sacos e equipamento que eles levavam, percebemos o quão difícil era sobreviver ali. Não há fontes de água quente, a electricidade é a gerador e tudo o que é preciso tem de se transportar de barco (petróleo, sofás, comida, jornais,...). Nós, ao fim de 6 horas de carro e 3 horas de barco chegámos ao nosso destino: Hornvik (Horn=corno; vik=baía). Não podia haver cenário mais dramático para começar a nossa expedição do que aquela baía de mar azul rodeada por montanhas vestidas metade de verde e metade de branco. Já passava da meia noite quando saímos do barco e o "parque de campismo" era mesmo a seguir às dunas da praia. Entenda-se "parque de campismo" por um espaço de relva delimitado onde se podia montar tendas, não havia qualquer instalação de apoio, para além de um abrigo de emergência em caso de tempestade. Estávamos na terra de ninguém.


1 - O barco de Ísafjörður para Hornvík 4 - A casa do senhor de 70 anos


Logo nos primeiros minutos, enquanto montávamos a tenda, vimos um pequeno mamífero de pêlo castanho a vaguear perto do local de campismo. Mal tínhamos chegado a Hornstrandir e já tinhamos visto a nossa primeira Arctic Fox selvagem. Com um tamanho um pouco maior que um gato, tinha uns 50-60cm e deveria pesar uns 4kg. Andava para a frente e para trás à procura de comida. Não havia melhor maneira de terminar um longo dia de viagem.


1 - Espaço para campismo em Hornvík 2 - A primeira visita da Arctic Fox 3 - 2h da manhã


Na manhã seguinte, acordámos tarde e com muito mau tempo. O cenário estava totalmente diferente do da noite anterior e com o qual nos tínhamos deslumbrado. Praticamente não se via a baía, o nevoeiro tapava tudo que estava acima dos 150 metros de altura, estava um dia cinzento e chuvoso. Rapidamente percebemos porque ninguém sobrevivia ao inverno naquela terra. Ainda nos demorámos na tenda na esperança que o tempo mudasse. Mas tínhamos estudado bem as previsões e aquele era o dia com as piores previsões: sabíamos que pouco iria melhorar. O plano eram 17km D+500 num circuito circular e voltávamos a dormir no mesmo local. A parte fácil era não ter de carregar com as mochilas com a tenda, sacos cama e comida para três dias. Assim, mais leves, arriscámos. Começámos por 2km ao até ao final da praia de areia preta da baía até ao nosso primeiro obstáculo: um rio glaciar com uns 100 metros de largura. Estávamos alertados para estes rios ao longo do caminho e em como devemos ter muito cuidado porque o caudal da foz do rio e a altura da água mudam muito rapidamente consoante as marés do oceano. A largura do rio era demasiado grande para determinar a altura a meio do leito. Tínhamos conhecimento de que havia uma ponte de madeira a 1,5 km de distância. Íamos ter de andar para trás e acrescentar mais 3 km ao primeiro dia de caminhada, mas não havia volta a dar. Estávamos decididos a voltar para trás quando ouvimos vozes do outro lado do rio "YOU CAN CROSS HERE! IT´S ONLY KNEE HIGH." ("PODEM ATRAVESSAR AQUI! É PELO JOELHO.". Não muito convencidos, mas mais confiantes, descalçámos-nos, arregaçámos as calças e lá começámos a caminhar rio a dentro. Um passo de cada vez, com o auxílio do bastões para irmos determinando a profundidade. Foi um choque!! A água estava mais gelada do que pensávamos. Não sei se por ser um rio glaciar que vem do degelo da neve ou se por estarmos no Oceano Árctico. Cada vez que afundávamos mais, mais gelada ela estava e até caimbras davam. Foi um alivio chegar a terra firme do outro lado da margem e fizemos juras de que na volta não voltaríamos a atravessar o rio (não foi bem assim, como irão perceber). Os 4km seguintes foram ao longo da costa, por entre praias de pedras, troncos e dunas de relva., até começarmos a subir para o Horn, para muitos o local mais bonito de Hornstrandir. O tempo continuava a não ajudar, mas íamo-nos animando com mais avistamentos de Arctic Foxes. A Arctic Fox é o único mamífero originário da Islândia, só pode ser encontrado nas regiões polares e regiões perto do círculo árctico, como Sibéria, norte do Canáda e norte dos Países Bálticos. A população de Arctic Fox na Islândia atingiu números historicamente baixos em 1979 (estimava-se que só existiam 1000 Arctic Fox em toda a Islândia) mas, devido à criação de reservas naturais e políticas de desencorajamento de caça das raposas, a partir desse ano e até 2008 a população aumentou 10x. Hornstrandir tem a maior população de Arctic Fox da Islândia e, especialmente o Horn, tem inúmeros covas de raposa e daí ser relativamente fácil observá-las aqui. O Horn também é conhecido por ser a terra das escarpas gigantes. Duas das três maiores escarpas do mundo são aqui e estão cheias de colónias de pássaros. Contudo, assim que subimos acima dos 200 metros de altitude o nevoeiro ficou mais denso e era praticamente impossível ver mais do que 20 metros para a frente. Uma pena. Não deu para ver a beleza do local. Optámos por arriscar novamente e seguir o caminho junto à escarpa, novamente na esperança de ao virar uma escarpa estarmos mais protegidos e melhorar a visibilidade. Foi a pior decisão do dia! Continuámos a subir e a visibilidade a piorar. E no meio disto tudo, começou a chover e a enlamear o percurso. Praticamente não víamos nem para a frente nem para baixo, ouvíamos o mar em baixo (o que queria dizer que andávamos muito perto das escarpas), ouvíamos os pássaros das escarpas em frente a poucos metros, o caminho estava cada vez estava mais escorregadio e já não se via ninguém no caminho (claro! só os malucos andavam ali com um tempo destes!). As descidas eram mais assustadoras que as subidas. Estávamos com medo, sentíamo-nos perdidos, mas fomos avançando com muito cuidado e muito lentamente até darmos a volta à península e encontrarmos a praia de pedras por onde já tínhamos passado na ida. Foi um alívio encontrar o caminho de volta no meio naquele nevoeiro. Já andávamos debaixo de chuva há umas 5h, estávamos ensopados, mas ainda faltava passar o rio glaciar novamente. Nem pensámos duas vezes em dar a volta, molhados por molhados, mais valia cruzar o rio e chegar o mais rápido possível à tenda. Terminámos já perto das 9h da noite. Foram 17,5km em 8h. Foi chegar à tenda, tentar recuperar alguma da roupa ensopada, comer e descansar para o próximo dia. Aprendemos da pior maneira como o tempo é agressivo em Hornstrandir.


1 - Hornvík 2 - O rio fresquinho


Na manhã seguinte, o tempo estava igual: nevoeiro e chuva. Nada animador. Mas não havia volta a dar, ali não podíamos ficar. Não havia barco (só ali voltava em 3 dias), não havia suporte de ninguém e não havia rede de telemóvel. Estávamos por nossa conta e tínhamos de cumprir o plano à risca para não perder o barco de volta. O plano era fazer mais 30km em 2 dias, com uma mochila de 12-14kg às costas, e o itinerário planeado era Hornvik - Hloduvik - Hesteyri e apanhar o barco de volta em Hesteyri para Isafjordur.


Fomos os últimos a sair do local de campismo, juntamente com mais 3 caminhantes: um alemão a solo e um casal de suíços. Tínhamos o mesmo destino nesse dia e caminhámos juntos o primeiro quilometro. Mas o nosso ritmo era mais lento e fomos ficando para trás. O dia começou com 2km de praia de pedras e relva nas dunas até chegarmos a outra baía (de nome Rekavik) e começarmos a subir a montanha do dia. A subida era relativamente acessível, não foi difícil de manter um ritmo constante e íamos fazendo paragens para abastecer. Cruzámo-nos com algumas pessoas em caminho inverso, dávamos sempre dois dedos de conversa, maioritariamente a partilhar alguns detalhes do caminho e do tempo. Eram boas noticias: todos diziam que o caminho estava bem marcado e que o tempo estava melhor assim que passássemos a montanha. E era tudo verdade. Mal chegámos a

Atlaskard (a passagem de montanha), começámos a avistar céu azul na baía do outro lado da montanha. Estávamos a 400 metros de altura e rodeados por rochas e neve. Aproveitámos alguns pedaços de neve para fazer sku e ganhar tempo nas descidas até chegarmos a um planalto e pelo qual seguimos durante uns 4km. O dia mudou totalmente, praticamente não havia nuvens e até deu para secar algumas roupas ainda húmidas do dia anterior. Parecia um paraíso autêntico. Pequenos lagos no planalto, rodeados de neve e montanhas...e sem ninguém. Já não nos cruzávamos com ninguém há umas 4 horas. Ao chegar ao final do planalto, fizemos uma subida curta mas inclinada até Skárlakambur, uma crista de montanha entre duas baías e com uma vista tremenda para Hloduvik, o nosso destino do dia. Dava para ver a baía toda com o sol a brilhar nas águas do Árctico, o local de campismo e o abrigo de emergência junto à praia e uma casa amarela um pouco mais afastada. A descida era de 3km, não havia pressa e foi-se fazendo devagarinho e com paragens para aproveitar aquele lugar incrível e tirar fotos. Fomos os últimos a chegar ao local de campismo, re-encontrarmos os nossos parceiros de início do dia, ainda trocámos uns dedos de conversa, mas o mais importante era aproveitar um jantar com aquela vista da praia e da baía. Foram 12km D+600m em 8 horas. O dia e o caminho foram óptimos! Já só nos restava um dia até ao nosso destino.


1 - O carregador de malas nas partes mais "técnicas" 2 - Rekavík 3 - Passagem de montanha - Atlaskard 6 - A ver se apanhava um salmão 8 - Hloduvík, vista de Skárlakambur 10 - Melhor hotel da cidade!!


O plano para o último dia era arrancar cedo...muito cedo...acordar às 5h da manhã, desmontar tenda e arrancar. Eu acordei com um chamamento da natureza às 3h da manhã e tive de sair da tenda...quando me deparei com a cena mais estranha e assustadora que nunca esperei naquele local: estavam umas correntes (tipo das correntes de um prisioneiro) mesmo em frente à nossa tenda. Peguei nas correntes para ter a certeza que eram mesmo correntes, e eram mesmo correntes e deviam pesar uns 4kg. Nunca poderia ter sido o vento a levar as correntes, alguém as tinha posto ali. Olhei à volta a ver se as outras 4 tendas tinham correntes à frente, mas nada. De volta à tenda, disse à Rita mas ela nem ligou nenhuma e voltou a dormir. O que é certo é que andei às voltas na cama a pensar como aquilo teria ido ali parar e porquê. Já perto das 5h da manhã, acordei a Rita e, enquanto tomávamos o pequeno almoço dentro da tenda, ela ainda brincou com a situação e que não deviam ser correntes. Acabado de arrumar tudo dentro da tenda, a Rita abriu a porta e as correntes estavam lá. Também ficou sem palavras e a pensar como alguém tinha posto aquilo ali. Com certeza uma brincadeira de muito mau gosto para nos assustar. Foi o mote ideal para desmontarmos tudo rapidamente e arrancarmos. Fomos os primeiros a sair do local do campismo às 5:30 da manhã. O dia estava óptimo como na tarde e noite do dia anterior. Não podíamos pedir melhor. O caminho começou ao longo da costa até durante 2km e ainda vimos mais duas Arctic Foxes. Mas a dureza do percurso logo começou. A subida era longa, 5km até à passagem de montanha aos 420m. A subida foi praticamente toda feita com vegetação rasteira em terreno enlameado e com um rio a acompanhar. Apesar de longa, a subida fez-se a muito bom ritmo e com paragens para apreciar as vistas. Eram 10h da manhã e já estávamos a passar no ponto mais alto do dia, em Kjarasvikurskard, a passagem de montanha que divide o norte e o sul da península. Estávamos rodeados de picos de 600 e 700 metros de altura cobertos de neve. Deu para a apreciar mais uma vez a beleza da baía a norte em que tínhamos dormido. Para sul já avistávamos o nosso fiorde de destino, mas também avistávamos várias nuvens e cinzentas. Sabíamos que o bom tempo ia acabar rapidamente. Das últimas previsões que tínhamos visto 3 dias antes, a janela de bom tempo terminava a meio do dia (embora dando o desconto de como as previsões aqui na Islândia falham redondamente), daí no nosso plano termos arrancado tão cedo. A descida começou com várias rampas longas de neve e deu para fazer mais sku e aproveitar que nem crianças na nossa Serra da Estrela. Mas a animação do sku passou rapidamente com um planalto longo de 6km que mais parecia um cemitério de pedras e pedrinhas. Foram 6km a bom ritmo porque não havia nada de interessante para apreciar, mas o tempo ia mudando mais rápido do que esperávamos. Já a avistar Hesteyri ainda tentámos parar para almoçar, mas o tempo não deu tréguas e voltámos o caminho muito rapidamente. Ao fim de 7 horas e meia de caminhada, cruzámo-nos com os primeiros caminhantes do dia em sentido inverso. Realmente, há poucos sítios do mundo onde é possível caminhar tantas horas sem ninguém. Muito também se deveu ao nosso início madrugador e que foi a melhor jogada do dia porque a chuva intensa não deu mais tréguas. A descida para Hesteyri fez-se rapidamente a tentar fugir da chuva e chegámos ao destino ao fim às 13:15, após 15,5km D+520 em 8h. Hesteyri foi o último reduto de povoamento de Hornstrandir. Aqui ainda há algumas casas e nós fomos directos ao que em tempos foi a casa do médico da vila e que agora é o único alojamento/café que existe em toda a península. Entrámos ensopados e com frio, mas depois de um chocolate quente, umas panquecas e um bolo de ruibarbo tradicionais ficámos muito bem aconchegados. Enquanto esperávamos pelo barco ainda deu para conversar com a dona do café e ouvir várias histórias dos tempos áureos daquela vila, na qual chegaram a viver 80 pessoas que dependiam de uma estação de baleia e de uma fábrica de arenque. E de repente, pouco passava das 2h da tarde, a dona do bar disse-nos que o nosso barco estava a chegar. Só esperávamos o barco às 17h, mas realmente o barco que víamos pela janela era igual ao que nos tinha levado a Hornvik. Ainda argumentámos que o nosso só era às 17h, mas ela disse que não havia barco a essa hora. Confirmámos no voucher que tínhamos imprimido e estava certo...o nosso horário era inicialmente às 17h, mas tinha sido alterado para as 13h (sim, 15 minutos antes de termos chegado à vila), mas felizmente o barco atrasou mais de 1 hora). Foi um último rasgo de sorte: era o último barco do dia e, caso não tivéssemos começado a caminhada às 5h da manhã, ficaríamos "presos" mais um dia em Hornstrandir.


1 - As correntes 3 - Hesteyrarfjörður 4 - Já parece uma trekker à séria!!


Foram 3 dias e uma noite em Hornstrandir, 45km de expedição, 1600 metros de desnível positivo, 24 horas de caminhada e inúmeros bons momentos. Hornstrandir é excepcional. Arriscaria a dizer que me faz lembras as nossas paisagens açorianas em que as fajãs são substituídas por baías em forma de U e que as montanhas e escarpas são mais altas e grande parte está coberta de neve todo o ano. Difere de grande parte da Islândia por não haver sinais evidentes de actividade vulcânica. Contudo, oferece algo completamente diferente e que nós procurávamos: paisagens magníficas do árctico, isolamento completo do mundo e natureza totalmente selvagem.


hornstrandir
3 dias, 45 km

Vivemos 3 dias às portas do Àrctico em total auto-suficiência. Saímos com uma mistura de sentimentos: aliviados por termos saído daquele mau tempo, felizes e agradecidos por termos tido a oportunidade de aproveitar estes 3 dias nesta terra sem sinais de civilização, mas com a certeza de que aqui cada dia é vivido no limite.


Talvez voltemos um dia...


(spoiler alert, voltámos em 2019 e a experiência foi tão melhor!!)

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